Pum. Pum. Pum.
Crise! Crise! Crise! Ou. Pum! Pum! Pum!
Nos últimos tempos, fomos bombardeados com fortes medidas de austeridade:
Corte do subsídio de férias e do subsídio de natal.
Aumento do IVA na electricidade, restauração, refrigerantes, óleo alimentar, enlatados...
Introdução de portagens nas SCUT.
Aumento das taxas moderadoras, das propinas, e dos transportes.
...
E, havendo fundados receios de que isto não fique por aqui, de cada vez que o Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, vem a público, o nosso instinto, é colocarmos um escudo protector na nossa frente, como se nos estivéssemos a defender das balas do inimigo.
O problema é que o inimigo é certeiro, e de pouco nos vale escondermo-nos. Somos alvejados sem dó nem piedade, de forma muuuuuuito lenta (dado o discurso do Sr. Ministro), como se nos quisessem massacrar.
Por incrível que pareça, os tiros parecem ter uma só direcção! Ou então, há quem tenha escudos protectores mais eficazes, e por isso mesmo, fique imune a tais ataques. Mais uma vez se constata a minha teoria: o princípio da igualdade só está consagrado formalmente, porque na realidade ele não se aplica!
Pum. Pum. Pum, e continua tudo na mesma, ou pior:
- Aumento da taxa de desemprego;
- Recessão da economia;
- Descontentamento social.
Perante isto, sou obrigada a constatar que a situação que vivemos é difícil. Estamos de certeza num período de depressão e de escuridão (luzes mesmo, só na Luz).
No entanto, desligando-me da realidade, e fazendo uma viagem ao meu passado, verifico que os tempos sempre foram difíceis! Desde que me lembro, os meus pais sempre tiveram que fazer esforços para que o salário chegasse ao final do mês. A minha mãe sempre comprou os produtos de marca branca, o frango sempre foi a carne mais consumida lá em casa, e os enlatados também eram muito frequentes. E, o meu pai, sempre embirrou connosco (comigo, e com o meu irmão, por causa da televisão e do pc), dizendo que no final do mês seriamos nós a pagar a luz, e referindo que a luz estava cara. E estas lembranças acompanham-me desde sempre, não são de hoje.
A grande diferença, é que agora há um maior número de pessoas para quem os tempos são difíceis. E, é por isso, que a crise anda na boca de toda a gente, e tem estas proporções. Afectando um maior número de pessoas as consequências são inevitavelmente piores para o país!
Pergunta-se: o que nos terá levado a esta situação? Há várias teorias. Haverá vários culpados. Porém, essas questões serão deixadas para os historiadores, e para os estudiosos. Não há tribunais que julguem as más opções políticas! E por isso, a culpa morrerá solteira. No entanto, estamos numa situação sui generis: não há culpados, mas há quem tenha de assumir as responsabilidades. E esse papel é nosso, é do "povo". No fundo, o que temos é uma base a sustentar o topo da pirâmide. Não é estranho que assim seja, pois não? Se invertêssemos os papéis, há muito que a pirâmide tinha caído, e nosso "jardim à beira mar plantado", ter-se-ia, sucumbido.
Saúde, trabalho e esperança! É o que desejo a todos!
Texto escrito para a Fábrica de Letras (fabricadeletrasepalavras.blogspot.com)